domingo, 5 de setembro de 2010

Ambigüidade do Ser – Filosofando –

">

Liberdade na gênese da existência humana


Alguns conceitos que acreditamos serem reais e “obrigatórios” não condizem com a realidade, ao contrario nos aprisionam dentro de nós mesmo, nos trazendo sofrimento ou nos restringindo na vida, por isso proponho livrar-se do conhecimento acumulado.

As palavras de Saint-Exupéry, “... de conduzi-lo de volta a você, é uma bela coisa, mas no fim de ser levado de volta a si mesmo você terá de resolver, até certo ponto, quem realmente gostaria de ser tornar”. Para isso terá que se livrar da bagagem alheia, de idéias fechadas.


Nascemos livres pra escolher diferentes possibilidades de viver, mas pra que escolhamos é primordial que conheçamos nossas alternativas. Portanto é inquestionável e imprescindível que saibamos o quanto somos livres em gênese pra optar e responder por nossas escolhas.


Agora sim poderei entrar no tema que gostaria, a bissexualidade. Aposto que o termo em si pode lhe assustar. Pois a bissexualidade contemporaneamente na cultura ocidental e oriental é vista de forma deturpada. A sociedade ainda muito arcaica e fundada na moral e dogmas religiosos ainda vê variados contextos humanos de forma errônea e pejorativa.



Olhamos para o bissexual como o indeciso, “o cara em cima do muro”, pois “não se decidiu”. Eu lhe pergunto o que é decidir? Temos uma mania horrível de querer classificar, de querer rotular, dar um nome às coisas, etiquetá-las e colocá-las em caixas e mandá-las para esteiras mecanicistas da sociedade. Karl Marx diria que nos coisificamo-nos muitas vezes.

Não vejo problema algum de você optar e escolher um gênero sexual pra se relacionar, ora recusar o outro também é optar, e como ser humano livre não há problema algum. Aqui não quero que se classifique, pelo contrario quero que seja livre e não se classifique. Não faço apologia ao bissexualismo e sim ofereço uma perspectiva existencial de conscientizá-lo. - Que você de fundo existencial é bissexual, pois é livre pra escolher homens ou mulheres. E mesmo que opte a um gênero, de fundo existencial humano sempre será livre pra mudar de escolha, logo sempre será bissexual em essência.

Agora você deve estar no mínimo confuso, e com raiva do autor. Mas isso é compreensível. Pois você aprendeu que tinha que decidir, que tinha que escolher uma única alternativa e que isso era continuo e imutável. Sou heterossexual ou sou homossexual. Quando você diz/pensa; “sou hetero” você se limita e se restringe no tempo e na mente, pois você é humano e existem outros maravilhosos seres humanos que nem você e do mesmo sexo que você, do qual poderia se relacionar. Você se permitiria tal relação? – Se “não”, porque não?! Do mesmo jeito os homossexuais que se restringem. Muitos diriam, “ah mais eu tenho nojo do sexo oposto”. Meu amigo ninguém nasce com nojo, ninguém nasce com preconceito racial, ninguém nasce com concepção alguma. Você aprendeu, você construiu esse nojo que de fundo não existe. Espero que você saiba que não nasceu com nojo.

Você pode escolher ter relações heterossexuais, homossexuais, ser assexuado, etc. Às vezes escuto: “Sou gay e não gosto de mulheres”. É uma opção também. Pode estar relacionada a suas vivencias, a suas aprendizagens, é pessoal e indiscutível. Mas não entendo exagerações: “odeio todas as mulheres do mundo”. Pergunto-me porque?! Existem mulheres maravilhosas e aposto que o gay que disse isso não conhece todas as mulheres do mundo pra dizer que não ira gostar de nenhuma, então porque generalizou? Até mesmo o corpo, é diferente, nenhuma mulher tem corpo igual, nem homem tem corpo igual, nem o sexo (ato) em si é igual.

Nem falo nada das religiões porque a maioria exige o seguimento de suas regrinhas e dogmas, que são de fundo umas baboseiras, criadas pelo homem pra alienar você.

Será que a questão é só mesmo pênis e vagina? Será? – Se for isso tudo bem, mas se não for... Pense se você não está vivendo uma idéia pré-formulada no qual temos que escolher, nos classificar, assim seremos aceitos, assim seremos alguém e faremos parte de um grupo. - Que idéia equivocada essa!


Desde os anos 90 fala-se muito em bissexualidade. A manchete de capa da revista americana Newsweek de julho de 1995 era: "Bissexualidade: nem homo nem hetero. Uma nova identidade sexual emerge”. É possível que num futuro próximo, com a dissolução da fronteira entre o masculino e o feminino, as pessoas escolham seus parceiros amorosos e sexuais pelas características de personalidade, não mais por serem homens ou mulheres. A bissexualidade poderá se tornar, então, bastante comum. A ponto de predominar.


Se você, por exemplo, tem um relacionamento hetero, e perguntam o que você é? A priori você não hesitará em responder: “sou hetero”. A pergunta deveria ser “você está vivendo um relacionamento...(?)” – “estou vivendo um relacionamento hetero”. Quando perguntamos o que a pessoa é, referente a suas escolhas sexuais forçamos uma definição geral e não a sua atual condição quanto relacionamento. De fundo temos uma resposta cabível: “sou bissexual, pois estou aberto ao mundo, e não me restrinjo. Eu vivo!”. Pra encurtá-la: “gosto de pessoas”. E não digo que seja importante essa resposta pros outros, isso não é importante! O importante é que você ao fundo saiba disso, saiba que é livre.

Podemos viver nossa vida e ter ao nosso lado pessoas maravilhosas do sexo oposto, e que ótimo isso é. Mas para sermos livres não deveríamos nos restringir se o mesmo sexo aparecer e nos oferecer compartilhar, tanto o corpo como a companhia. Porque às vezes tendemos a nem pensamos nas opções, “ah nunca, pensar nisto?! Deus nos livre” – Pare com isso se permita pensar. Pensar é experimentar da vida também. Pensamos em coisas horríveis e cruéis e não seremos hipócritas de negar, então porque não pelo menos pensarmos em outras alternativas na nossa vida?

Imagine-se desde pequeno crescendo em outra família, outro país ou outra cultura, e pense se você teria a mesma “cabeça” a mesma personalidade que você construiu pra si.

Sei que queremos acreditar na idéia que existe algo biológico, que existe uma força universal talvez até espiritual, que fez nós sermos o que somos. Às vezes escuto, “eu nasci gay”, meu amigo você optou em ser gay, e até que geneticistas provem ao contrario (se conseguirem) essa é a realidade. Mas isso não é triste, não é pejorativo, é uma das definições mais perfeitas, pois “sou o escultor de mim mesmo”, eu sou o fruto de minhas escolhas e vivencias produto da minha liberdade. Não existe coisa mais bonita de se ouvir, pelo menos enxergo dessa maneira.




Em 1975, a famosa antropóloga Margareth Mead declarou: "Acho que chegou o tempo em que devemos reconhecer a bissexualidade como uma forma normal de comportamento humano. É importante mudar atitudes tradicionais em relação ao homossexualismo, mas realmente não deveremos conseguir retirar a carapaça de nossas crenças culturais sobre escolha sexual se não admitirmos a capacidade bem documentada (atestada no correr dos tempos) de o ser humano amar pessoas de ambos os sexos."


Confesso que conheci poucos bissexuais que realmente são bissexuais, a maioria está mesmo “em cima do muro” se esquivando por medos inclusive de opiniões sociais. E infelizmente inventam uma coisa que acho no mínimo controvérsia. A questão da “preferência”... “Sou bi e prefiro tal gênero...”. Se você tem preferência logo não tem uma “filosofia bi”, logo está se limitando novamente, inclusive metafisicamente.

Pergunto a vocês: “Vocês conseguem escolher por quem vão se apaixonar?” – Alguns dirão que sim, então reformulo a pergunta: “Vocês se restringem a gostar somente de um tipo especifico de característica nas pessoas?” Explicarei melhor, você por acaso coloca na sua cabeça: “só amarei mulheres lindas dos olhos azuis com 1,75 de altura, que tenham pele clara e uma voz perfeita”. Você até pode escolher essas “metas” pro amor, mas afirmo será superficial. Pois ao fundo não escolhemos a caracterização da pessoa por quem nos apaixonamos verdadeiramente, isso não é por si só fundamental numa “boa relação”, outros fatores também serão extremamente importantes – a singularidade. E mesmo que a pessoa tenha os atributos que queremos, não nos restringimos tanto a essas características (ao longo do tempo).

Ora o gostar de alguém acontece, pode ser negra ou branca, pode ser rico ou pobre, pode ser alto, quem nunca se apaixonou por um baixinho?. Podemos às vezes até resistir por nossas “preferências”, mas o que nos atrai muitas vezes é mais profundo. É a personalidade, a singularidade do outro que nos atrai verdadeiramente. (falo de uma relação não superficial)

Quando amamos levamos em conta não só o corpo, mas também a personalidade, assim escolhemos compartilhar as coisas e podemos usufruir com mais intensidade uma relação.

A personalidade em si é diferente de sexos – feminino/masculino, dizer que homem tem personalidade forte e mulher frágil é do século passado. Já percebemos que mulheres e homens têm “gênios” e personalidades distintas e diferenciadas, não existe um padrão. Cada pessoa é singular e única.

Logo pensamos; personalidade é uma coisa única, o que me impede de gostar de uma personalidade do sexo oposto em dado momento e em outra etapa de minha vida gostar de uma personalidade do mesmo sexo? Nada impede!


Você deve se livrar das barreiras que aprendeu pra poder se permitir, a pensar diferente, e com maior liberdade. Qual o valor da opinião alheia sobre sua vida? Será que vale realmente você viver uma vida regrada e superficial? Afinal é da sua vida que estamos falando, do seu tempo, que é escasso.

A ambigüidade no bissexualismo não é “safadeza ou promiscuidade” não quer dizer sair de uma relação monogâmica pra orgias, isso é uma visão deturpada também. Eu não sou contra relação monogâmica, nunca fui contra. Sou contra as amarras que nós mesmos nos colocamos e depois frente a diferentes situações não sabemos o porque nos sentimos tão “presos”, o porque não podemos tal coisa. Ai nem pensamos que perdemos a chance de ter vivido algo.

Aqui temos apenas uma perspectiva como já disse. Não quero que se rotule, seria contra meus princípios, mas quero que entenda nesse aspecto que no fundo você aprende o que é certo e errado, o que “pode” e o que “não pode”. Isso serve pra vários aspectos de sua vida.

Marjorie Garber, professora da Universidade de Harvard, que elaborou um profundo estudo sobre o tema, “compara a afirmação de que os seres humanos são heterossexuais ou homossexuais às crenças de antigamente, como: o mundo é plano, o Sol gira ao redor da Terra. Acreditando que a bissexualidade tem algo fundamental a nos ensinar sobre a natureza do erotismo humano”.


Então pense se você não está se restringindo de algo, de experimentar e sentir. Lembre-se que neste contexto você não fará mal a ninguém, não agredirá, não matará ou ferirá a integridade de ninguém. Afinal é uma escolha pessoal e de conseqüências pessoais, está na opção de escolher livremente. E é só e apenas sua.

É uma opção humana e qualquer um pode fazê-la, pois faz parte da liberdade, liberdade na gênese da existência humana.

Quer ser livre, ou se restringir?

Viva escolhendo livremente!


sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Amor, estranho amor – devaneios –

Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Luís Vaz de Camões




Vi umas definições interessantes esses dias, "nós amamos o que nos faz mais falta, ou que mais almejamos ter."... pensei;

Amar é um misturar de sensações e percepções. Um gostoso saciar do que sou homem-mulher-ambiguidade, do que quero ser ou ter. “Eu sou ele, sou o que quero nele, logo eu quero tê-lo e obtê-lo de uma forma egocêntrica, narcísica, pois ele faz parte do que eu sou. E é claro alegórica, pois se tenho quero mostrá-lo, em toda minha onipotência”, Alguém toparia um amor escondido numa caverna? – acho que não seria tão bom - “Vejam que majestoso, estrondoso, sinto-no e sonhem com o que não lhe pertence. Estiga-me saber que se masturbam com minha posse, quando quem goza dela sou eu. Haha” – Loucura do amar? Ou devaneio de viver, de sentir e perceber...

Você é pragmático o amor então pode ser certamente influenciada por hormonios (tais como oxitocina), neurotransmissores (como NGF), e feromonios bem como a forma de pensar das pessoas o que faz com que estas se comportem com relação ao amor de maneira influenciada por suas concepções do que é o amor. Você pode defini-lo assim se o quiser...

Extinto sexual herdado em seu DNA, prazer indubitável e trivial, fervores puros, incontroláveis, “me leva a cometer tudo, até mesmo contra mim ou ele. Claro que ele é culpado pela minha loucura, afinal eu sou ele?” – Loucura da carne ou da mente?

Magneticamente revigorante, eletricamente perturbador - às vezes. Em algumas situações pode ser apavorante, ou sereno. Mas Inocente? Só pra quem mente.

Já vi ser quente e perverso ou singelamente doce e delicado. Pode ser vívido em suma liberdade ou pode ser suas piores correntes.

Nunca será o mesmo pra todos, ou melhor, é diferente pra cada um, têm cheiros, sabores, suores, calores, loucuras à parte.

Pode motivar, “... crio meu sentido de viver e existir aos seus olhos, aos seus elogios... a cada manhã, sinto sol em seu sorriso, não por me aquecer. Mas por realçar meu próprio brilho...”,

Algo que encoraja, leva o individuo aos astros, seria a droga do amor? Viciante e alucinante, seria a resposta pra dependência sórdida, mas tão adorada e aclamada... “Vamos, vamos travar uma guerra”, Tróia que diria, destruir a vida de um homem ou de muitos.

Amor estranho amor que pode criar um homem das cinzas também, levantá-lo, é um tipo de fé cega? - Talvez. “Por você eu faria tudo e mais o impossível, tão mais difícil seria morrer por você. Morreria! Mas viva o resto de sua vida por tributo ao meu amor, pois não quero sua liberdade, quero sua prisão nas minhas lembranças e no meu sacrifício”.

Dizem que quem ama deixa partir... É difícil? Diria quase impossível... Mas é real. Quer demostrar o que sente deixe livre. Pois o que aprisiona é tudo menos amor. Então vamos jogar este interjogo, no agora. Pois isto faz parte da minha humanidade.

Baixa auto-estima ou medo da solidão? Por ser meu porto seguro, ou minha segurança em tantas fraquezas? “Qual a razão por mesmo a você me dilacerar, me fazer sangrar ainda rezo por você, pra que seus olhos se voltem pra mim...” Masoquismo? Seria dar a outra face a tapa e continuar te amando? ... Ainda sou adepto ao amor próprio! Não gosto desse amor de amarras que adoece a todos.

Uma atração física ou energética? Material ou espiritual? De dependências e necessidades? Ou todo o contexto que a musica, as artes e a poesia podem nos lembrar.

Sensação do caos sereno que pode ensinar, amadurecer e compartilhar dos sentimentos e do companheirismo mais perfeito, como uma sinfonia sincronizada.

A ponto de entender o outro, de senti-lo de longe? Superstição x Razão. Ilusão ou conexão? Fazemos do misticismo prioridade, mas afinal nem sabemos ao certo o que é realidade! Sabemos o que sentimos e o que tornamos verdadeiros, aos nossos olhos... “foi o amor maior do mundo...” então que seja, afinal é seu existir, seu mundo.

Seja um amor de verão ou platônico. Ame como quiser! Mas por favor, por mim e por você, não seja o Romeu ou a Julieta. E mesmo que viverá a amargura da mágoa, um conselho: Não deixe de viver de novo por um passado, afinal, nada é igual, não se tranque na caverna e acompanhe sombras, mas saia pra ver de novo o sol, mesmo depois de uma tarde de chuva.

Sei que pra você o que eu digo ao final pouco importa, pois; “é nos olhos dele(a) que me acalmo, me deixo levar pela maré, é em seu toque que arrepia e traz desejos que me desnorteia, é em suas palavras que me perco e me derreto e não vejo mais nada, pois estou cego. Cego de amor.”

O que é o amor? Ele realmente existe ou é fruto de uma criação?

Enfim não basta entendê-lo, o melhor disso tudo é com certeza vivê-lo.


(...)

“Eu possa me dizer do amor (que tive):

Que não seja imortal, posto que é chama

Mas que seja infinito enquanto dure.”

Soneto da Fidelidade – Vinícius de Moraes





"Sou as duas metades da laranja!"



E mesmo reunindo todo o sumo da nossa laranja, somos infinitamente carentes, infinitamente solitários, infinitamente alegres e de vez em quando felizes.
Apenas posso acreditar no amor, e em todas as suas formas...como será possível ser unilateral se o amor acontece quando menos esperamos.
A lealdade acima de tudo, espero meus amores leais, pois a fidelidade é extremamente relativa, apenas peço a sinceridade total para a partilha de novas paixões ou dessas mesmas paixões. Qual o interesse de guardar um amor tão grande num cofre se esse amor é tão maravilhoso e deverá ser para todos, apenas nos pertencemos a nós, por mais dura que seja a realidade...o que é o corpo ao compararmos com a nossa alma? sei que o amor é sagrado quando visto dessa forma, e não interessa a sua durabilidade mas sim a sua verdade. Sinto-me livre, sinto-me apaixonada por essa liberdade, sinto-me amada e desejada, sinto-me a viver, sem pressas, sem rotinas, sem rótulos, seM exigências, sem cobranças, apenas vivemos e vivemos sabendo que nada é eterno, mas nós podemos sempre torná-lo, pois o amores nascem, crescem e nunca morrem pois existem e existirão sempre mesmo que não seja na nossa vida como actuais amantes!

(Anu Areias, 2010)

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Lembre-se que há milhares de possibilidades pra tudo!


Existencialismo e Relações Humanas (parte 4 - FINAL)




“Uma moça está esperando o telefonema do namorado. Está esperando. Ele disse que ia ligar as 16:00, e o coração dela se apronta pra recebe-lo as 13:00 e ela espera e pede a todas as colegas de dormitório que não usem o telefone. Espera e espera e afinal são 16:00 e o telefone não toca. E ela continua a esperar, e ás 17:00 não toca, nem as 18:00, e ás 21:00 ela está arrasada. Vai ao banheiro e corta os pulsos. Porquê? Porque achava que essa era a única alternativa. Estou começando a achar que talvez o individuo que realmente tem saúde mental é o que tem maior número de alternativas, as mais variáveis. Uma pessoa que possa dizer: ‘se isso não acontecer, o que mais, e o que mais é possível?’

Por exemplo, vejamos aquela moça. O que mais poderia ter feito? Sejam criativos: o que ela poderia ter feito, em vez de cortar os pulsos? O quê? Sim! Ligar para ele! Claro! Dizer: ‘o que é que aconteceu, cara? Quebrou o dedo?’ O que mais ela poderia ter feito? Vamos! Mais sadio! E o que mais? Sim! Poderia ter feito uma pizza, tomado um chuveiro frio, podia ter ligado para mim! Que pena ela achar que só tem uma alternativa. Não só há milhões de alternativas, como ainda há algumas que ainda não foram nem sonhadas” (Léo Buscaglia)

Bem esse exemplo é perfeito, se a tantas alternativas e possibilidades porque não as tentamos? Sonhe e tente, se não conseguir vamos ao próximo passo. Sempre daremos o próximo passo, não importa a situação que estiver sempre tem um jeito de EXISTIR bem. Existem bancários na depressão, e catadores de lixo cantando pelas ruas.

Faça seu propósito próprio singular, e não deixe que ninguém meta o dedo no seu propósito. Ora, ele é seu!

Journal of Humanistic Psychology: Relato real de um homem de 85 anos que soube que estava morrendo. Diz ele:

Se eu pudesse reviver minha vida, da próxima vez procuraria cometer mais erros. Não tentaria ser tão perfeito... Eu seria mais descontraído. Seria mais flexível. Seria mais tolo do que fui nesta ‘viagem’. Alias, sei de muito poucas coisas que levaria tão a serio; seria mais maluco. Seria menos higiênico... Eu me arriscaria mais, viajaria mais, escalaria as montanhas, nadaria mais em rios, olharia mais pores do sol, iria a mais lugares aonde nunca fui. Tomaria mais sorvetes e comeria menos feijão... Eu teria mais problemas de verdade e menos imaginários... Sabe fui uma dessas pessoas que levam uma vida saudável, sensata e ajuizada, hora após hora e dia após dia. Ah tive, meus bons momentos, e, se tivesse de fazer tudo de novo, teria mais desses momentos. Aliás, eu procuraria não ter nada senão momentos lindos, de momento a momento... Fui dessas pessoas que não iam a lugar algum sem um termômetro, um saco de água quente, um gargarejo, uma capa de chuva e um parta-quedas. Se tivesse de fazer tudo de novo, da próxima vez viajaria com menos bagagem... Seu tivesse de fazer tudo de novo, passaria a andar descalço mais cedo, na primavera, e ficaria descalço até mais tarde, no outono. Andaria em mais carrosséis, olharia mais pores do sol, e brincaria com mais crianças, se pudesse viver minha vida de novo. Mas não posso, sabe.”


Como já disse sou um jovem de 20 anos, e eu sei tão pouco sobre tudo. Mas uma coisa posso te dar certeza, a morte e certa, e seu tempo é escasso. Tive que sofrer, e passar por muita coisa ruim pra cair na real, e também tive contato e tenho com pessoas incríveis, com livros valiosíssimos que me fazem crescer a cada dia.

A vida está nas suas mãos, dela você pode tirar as coisas melhores, mais lindas e proveitosas de tudo o que tiver contato, em qualquer situação. Ou pode, escolher, o medo, o desespero, a vergonha e timidez e se privar de tudo o que tem pra viver. Afinal como já disse o sentido de existir é você escolher suas próprias esolhas, Esse é o livre-abitrio, porem preste atenção nas alternativas, pois assim você escolhera com mais liberdade, podendo aproveitar bem mais a qualidade de seu tempo.




CONVERSA DE HUMANO PARA HUMANO


Mude sua rotina, seu comportamento, não deixe seus olhos te limitarem, use os outros sentidos. Temos que aprender a tratar melhor o ser humano, as pessoas ao nosso redor. Já parou pra pensar como os rotulamos o tempo todo, “fulano gordo”, “ciclano viado”, “Beotrano lerdinho”. A ciência foi criada pra melhorar a vida humana, pense pra que serve por exemplo um médico? Ele serve pra dar qualidade de vida pras pessoas – proporcina-las saúde, e cuidados com o que dispor. Mas ao chegarmos em um consultório o médico nem nos olha no rosto, a triste cena. Ele olha somente para sua mesa e escreve no prontuário. Fazendo perguntas não sobre você, mas sobre seu sintoma, “como é?”, “quanto tempo?”, “como se manifesta?”, Parece que quer nos dizer; “ei pedaço de carne” ou “ei robô descreva seu defeito”. Não era esse o propósito da medicina. Tento medo que alguns psicólogos se tornem assim, esqueçam que lidamos com seres humanos e comecem a tratar as pessoas reduzindo elas a problemas cognitivos, doenças e transtornos psicopatológicos.

Imagino uma criança que não consegue ler. A escola começa o “jogo das rotulações”, pro educador a criança será “um problema de aprendizagem”, pro psicólogo “problema cognitivo ou comportamental”, pro médico “problema neurológico ou psiquiátrico”. Os pais dessa criança, se deparam com essa situação, e infelizmente “sugam” e acreditam que realmente tem um filho problemático. Pronto à criança viverá com esse rotulo, acreditara que é esse rotulo, quando na verdade ela é muito mais do que uma criança que não lê. Ela é uma criança que brinca, que se movimenta, que sabe cantar, chega a notas musicais altíssimas. Uma criança que sente, e gosta de “trepar” nas arvores. Uma criança que adora abstrair e pintar diferentes paisagens e lugares que vê no papel com guache. Uma criança que identifica rapidamente símbolos e conseguir ir e vir da onde quiser. Mas agora ela está presa, presa no rotulo de criança problemática.

Acho que duas palavras poderaim entrar em nosso cotidiano para lidar com as pessoas; GENTILEZA e DELICADEZA. Duas atitudes que não trazem mal algum a ninguém. Comece a tratar as pessoas assim, mas como nunca esperando algo em troca, isso é egoísmo.

Rico-pobre, educado-analfabeto, branco-negro, homem-mulher, essas diferenças são inexistente no contexto relações humanas, nesse somos todos iguais. Não tente impor seus valores, ideologias as pessoas. Odeio autoritarismo e paternalismos.

Adoro o conceito de respeito e ética. Lembre-se deles.

Temos que parar de nos distanciarmos, bato nesta tecla nos meus textos. Estamos cada vez mais solitários, “cercados de gente a nossa volta mas nos sentindo sozinhos”. Ser humildade pra saber que você é nem melhor nem pior que todo mundo é um principio bom pra começar.

As pessoas são incríveis, e existem tantas, procure quem você se identifique, agarre-as, e aprendam com elas, todo mundo pode ensinar alguma coisa nova a você. Aprender a viver entre as pessoas, a compartilhar o que você tem, o que aprendeu, sugue o que poderam te ensinar. Viva a sua vida com plenitude que pessoas apareceram nela como mágica, você atrairá pessoas por conseqüência do ser humano que você se tornará.

Aqui você teve só uma alternativa, uma possibilidade. Crie o seu existir!

Você ira esperar a morte lhe alcançar pra perceber que nunca viveu?


Existencialismo e Relações Humanas (parte 3)


Thoreau: “Ah Deus, chegar ás portas da morte só pra ver que nunca se viveu”.

Faça um exercício que aprendi recentemente lendo sobre a filosofia budista: Pense: “o que pensamos ser essencial?”.

Muitos pensam que é o corpo essencial, e passamos a maior parte de nossas vidas cuidando obsessivamente dele, como já disse enriquecemos o comercio. Já pensaram na sua rotina, sabe quando você começa a odiar o trajeto do seu dia? Odeio acordar de manhã, odeio esse café, odeio isso, e aquilo. Porque você segue essa rotina exaustivamente igualzinho todos os dias? Até mesmos nas mesmas situações rotineiras, no mesmo ambiente, sua postura poderia mudar, isso qualquer um pode fazer.

As vezes achamos que as posses são essenciais. Casas grandes, muito dinheiro. Outras pessoas, Metas, metas grandes e importantes são essenciais. Passamos a vida nos garantindo contra um destino iminente, que, temos certeza, está á nossa espreita. E fazendo tudo isso deixamos de viver o momento presente. A realidade é o agora. Pense no seu futuro, mas nunca se esqueça de viver bem seu presente enquanto espera esse futuro.

Olha não sei vocês mas não acho um carro essencial, não acho essencial meus estudos, não creio que seja essencial minha casa, meu computador, ou minhas roupas.

O que é essencial em mim? – Bem, acho que o essencial é que vivo e abraço o agora, aonde quer que eu esteja. Eu agarro em meus braços! Parei de perder tempo chorando o passado. Ele já se foi. Perdôo meu passado. Perdôo as pessoas que me magoaram, e me perdôo pela magoa que causei. Pois aprendi com tudo. Percebi que viver livremente sem medo de errar, é ocupar o tempo sem medos, sem restrições ou auto-repulsa. Comecei a gostar de mim, como sou, assim mesmo cheio de imperfeições, mas que me tornam único. Me entreguei as coisas. Comecei a descobrir o mundo, me descobrir. Que gostoso, estou sentindo a mudança em tudo.

Nikos Kazantsakis diz: “Você tem seu pincel, tem suas tintas, pinte o paraíso e depois entre”. Faça isso! A sua vida que é essencial.

Sei que vai parecer estranho, mas percebi que é uma verdade. Pra aceitar a vida você tem que aceitar a morte. Saber que a morte existe é um presente que só o ser humano tem. A morte nos indica que temos um limite. Ou seja, temos um tempo e tudo vai acabar. Agora lhe pergunto o que quer fazer com seu tempo? O exemplo clichê: “um médico de dá um ano de vida” – ai sim daríamos valor ao tempo não é?

Como é bom aprendermos a usar nossos corpos pra descobrir o mundo. Sentir as coisas. Os sentimentos, como é bom ter experimentado da raiva, medo, alegria, tristeza, esperança...

Outro dia estava pensando, sabe quando somos crianças e ganhamos um brinquedo novo, ou estamos adorando a brincadeira na rua com nossos amigos, e por algum motivo temos que parar o que estamos fazendo para ir dormir, porque mamãe nos chamou? Ai nós deitamos na cama ainda alvoroçados, elétricos, querendo logo que a noite passe pra correr pra brincar, pra correr pra se divertir, pois no outro dia tudo é possível. Penso que pena que perdemos isso, porque não dormir todos os dias assim elétricos, alvoroçados com o que vamos fazer amanha. Como seria bom se voltássemos a nos sentir livres.

Desenvolva no seu corpo a maravilha de provar, cheirar, sentir, descubra coisas que nunca fez, ora ainda há tempo de fazer. Se você faz uma coisa muito bem, pare de fazê-la, tente o novo, é um desafio.

Deixe de lado esse mundo ignorante e limitado, e se desenvolva com você e o mundo. Lembre-se que o ego não é essencial, “ah minha opnião é formada, eu sou assim.” Pare com isso, não defenda seu ego como se ele fosse uma unidade formada e única, ele não é! Você aprendeu ele, você construiu ele. Em qualquer momento você pode mudar seu ego, mudar quem você é, mudar suas idéias, se mudar! Mas enquanto você for “apático” – “ah eu não ligo a mínima” – você não descobrira o que é essencial!


Paro por aqui, deixarei você pensar o que é, e o que não é essencial.

Sentido da vida – Você vive sua vida como realmente quer viver, ou vive como lhe disseram que deveria viver?

Existencialismo e Relações Humanas (parte 2)


Não precisamos voltar a Descartes pra lembrar que: “Penso, logo existo!” Acho que ninguém aqui ou ai, acha que não existe. Bem todo mundo sabe que existe, que bom! rs.

Existir é um fato, agora pensaremos, numa questão velha, diria uma das mais velhas que existe; o existencialismo. O porque ou pra que existo? Remete a famosa pergunta: “Qual o sentido da vida?”. Bem, filósofos e cientistas a parte seria uma chatisse se eu ficasse aqui discutindo a resposta de cada um pra essa pergunta. Ora esse blog é meu, colocarei minha resposta, julgue se ela é boa por si só. Acredito que o sentido da vida está em não ter sentido algum. É uma folha em branco, e nela você pode fazer o que quiser, pode desenhar, rabiscar, pintar, rasgar, a folha é sua você escolhe o que fazer. Não a caminhos, não a escolhas, não a certo ou errado, só existe você e sua vida, faça o que quiser com ela, e agüente as conseqüências boas ou más.

Diga-me, qual o sentido da sua vida? Acho que já virou clichê: “quero uma família feliz, um amor eterno, ser perfeitamente lindo e nunca parecer velho, e é claro um milhão de reais MÁÁOE.” Sei que a resposta de muita gente ta nesse caminho, dinheiro, perfeição, amo eterno, até mesmo realização no futuro. Dá pra acreditar, realização no futuro? Meu amigo se você não tem controle do seu presente, como terá do futuro?

Tem pessoas que vivem uma vida montada e isso é incrivelmente triste, elas sofrem a vida toda, ou as vezes, na maioria dos casos vivem uma vida sem ter “aproveitado” o que a vida tem a oferecer. Afinal é bem mais do que aproveitamos!

A questão é que ninguém mais procura saber o que é real. Sabe a Lady Gaga que você ama, tem elas adicionada em comunidade do orkut, tem ela em adesivo, no carro no quarto, é fã, segue no twitter. Enfim, você idolatra ela. Pergunto o porque? Se você me responde que gosta da musica, da voz, quem sou eu pra criticar? Porem muitos diram, “aaaah adoro o jeito dela, popstar, glamurosa, divá...” quanta bobagem! É isso que acredita ser rela? É isso que quer pra você?

Queremos ser poderosos e que todos nos amem e admirem, não por nosso caráter, mas por coisas supérfluas, pela roupa que estamos vestindo. “Meus Deus você viu falano, ele repetiu a mesma camiseta que usou ontem! Hahaha mero mortal.” Programinhas como esquadrão da moda fazem o sucesso. “Diego vc é critico da moda?” – Não eu gosto da moda quando ela sugere algo novo, quando ela dá idéias de valorizar o corpo humano, que é tão bonito, mas odeio sim a moda que exclui as pessoas, a moda que cria padrões, a moda que aprisiona e rotula!

Nossa como a posição social pesa algumas vezes, como queremos ser os maiorais, é legal estar por cima, até mesmo tendo que passar por cima das pessoas? Tratá-las como lixo. Tem professor que só porque tem alguns conhecimentos a mais, se acha superior. Médicos e alguns ricos então, nem se fala. Como já critiquei olha o olhar paternalista, da superioridade e autoridade!

Hoje a existência humana procura basicamente 3 coisas, de forma egoísta e cada vez mais solitária, queremos: STATUS, PODER E DIVERSÃO. Sabia que no livro “Mentes psicopatas” as atitudes de um psicopata são sempre a procura extrema de status, poder e diversão?

Falo dessas coisas pra refletirem, o que estão fazendo com suas vidas, com suas existências. É uma só! As vezes você existe assim com essas idéias, nessas crenças porque precisa sobreviver e não consegue sair delas, sim eu compreendo. Mas a maioria das situações desperdiçamos, porque quando aprendemos que isso e aquilo era um “objetivo” pra conquistar - começamos a fazer isso sem pensar se é o que realmente queremos. Pense bem se sua preocupação com a opinião alheia, se a falta de preocupação com voc~e mesma, se tudo isso não é fruto destas questões?

Você realmente vive para você?

As palavras de Saint-Exupéry, de conduzi-lo de volta a você, é uma bela coisa, mas no fim de ser levado de volta a si mesmo você terá de resolver, até certo ponto, quem realmente gostaria de ser tornar.

Sabe existe uma sociedade, um mercado que precise que seu sentido de exister seja DETERMINADO, é o que eu chamo do mundo capitalista. Imagine os empresários de moda, produtos de beleza, de cirurgias plásticas, etc. Imagine essa industria da beleza sem que as pessoas não quisessem padrões de beleza, não quisessem essa perfeição que muitas mulheres buscam. Ai que mora o perigo que entra na forma do culto ao perfeccionismo.

Essa idéia de perfeição assusta. Se uma menina tem coxas mais largas, pronto não é do padrão, é feia e excluída! Se é magra e baixa, pronto fora daqui! – lá vem as depressões e doenças. Gorda? Isso nunca – que venha a bulimia, a anorexia. Por que essa obsessão? Pra isso que você existe. Passamos o dia se embelezamos, e no final perdemos o dia.